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Abusos Litúrgicos

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Abusos Litúrgicos

Mensagem por Fabão em Qua 13 Abr - 10:17

Eu adoro uma polêmica, então acho que podemos falar a respeito.

O que vocês pensam da "missa" sertaneja, "missa" crioula, "missa" afro, Missa "de Cura e Libertação", cantos e orações fora de hora, povo rezando orações que devem ser feitas pelo sacerdote, sacerdotes que não fazem as orações que devem, sacerdotes que não distribuem a Comunhão, papel dos MESCE (ministros da Eucaristia), etc...

Tem muita coisa e muito pano para manga...
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Re: Abusos Litúrgicos

Mensagem por pedrogontijo em Qua 13 Abr - 18:25

Eita, demorou abrir esse tópico =)

Não dá pra escrever muito
agora, mas a gente pode organizar um pouco o assunto. Há muitas coisas
diferentes entre as que você citou, Fabão; arriscaria dizer que há
"graus" diferentes de abuso litúrgico. A gravidade do "deslize" depende
do que é alterado/atacado na liturgia.

O melhor guia para saber se há deslize e se ele é mais ou menos grave é ler a Instrução Geral do Missal Romano,
ou IGMR, uma espécie de "manual de instruções" do Missal, que usamos
para praticamente todas as ocasiões que envolvem liturgia católica.

Não tenho o IGMR em mãos agora, então não cito os números de referência. Vamos começar com o básico, que lembro de cabeça.

Primeiro,
é bom lembrar a liturgia da Santa Missa não é totalmente rígida ao
missal. Há margens de ação para algumas coisas, dadas principalmente
para que se respeite o costume do lugar, a partir da autorização do
ordinário local (bispo/arcebispo) e por deliberação da Conferência
Episcopal. Mas isso não significa, de jeito nenhum, que se pode desrespeitar o que está explícito
no missal com a desculpa de agradar a algum regionalismo -- mesmo
porque, para atuar nessas margens, a Conferência Episcopal precisa de
autorização expressa da Sé Apostólica.

Então, alguns costumes que
vemos nas missas -- palmas, comunhão de joelhos ou na mão, músicas etc.
-- tem alguma referência no IGMR e podem ou não ser permitidos pela
Santa Sé.

Digo isso para não corremos o risco de vetar algo de
cara, dizendo "isso não pode!", sem sabermos nem onde procurar o que é
correto.

Dito isto, vamos começar com o mais grave. Não existe "missa-algum-adjetivo".
Missa "sertaneja", "afro", "de cura e libertação", "crioula", "gaúcha",
"infantil", o que seja, isso é terminantemente contrário à disciplina
católica. A Santa Missa é uma só. Aliás, essa é exatamente a beleza de uma liturgia que se quer católica, universal.
Como ser universal numa missa que é voltada só para um objetivo: só
para os afrodescendentes, pros gaúchos, para as crianças, para os
sertanejos??! A Santa Missa é para todos assim como Jesus veio para
todos.

Pode haver missas com o objetivo de direcionar a atenção
para um evento específico -- as crianças da diocese, ação de graças para
um encontro, o matrimônio, uma consolação para um evento grave -- desde
que na forma prescrita. Com o mesmo missal, os mesmos paramentos e
objetos, o mesmo texto aprovado. O que passa daí é invenção que, com o
pretexto de incluir, exclui quem não é "criança" ou "carismático" ou o
que seja.

Em seguida, o que acho mais grave é o desrespeito ao missal por parte do sacerdote, particularmente durante a homilia e a liturgia eucarística. O povo não tem obrigação de conhecer detalhes do missal, mas o sacerdote tem o dever de passá-los ao povo sempre que necessário. Se o sacerdote desrespeita, ninguém vai respeitar. E se o desrespeito ocorre durante o rito em que temos presente os santíssimos Corpo e Sangue de Cristo, há risco de profanação ou sacrilégio gravíssimos. Daí o problema.

Portanto, o rito de consagração e as orações eucarísticas, em especial, devem seguir o missal à risca para evitar esse problema.

Bom, depois escrevo mais =) Paz e bem!
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Re: Abusos Litúrgicos

Mensagem por Fhillipe Fhelps em Qua 13 Abr - 21:57

Putz... difícil esse assunto.
Como não sei muito sobre o Missal e sobre os preceitos litúrgicos obrigatórios fica difícil o posicionamento.
Mas o que penso é o seguinte:
Como o Pedro citou, o que existe de mais belo na missa católica é a universalidade. É maravilhoso estar em qualquer lugar do mundo e participar da mesma missa, da mesma palavra, da mesma ceia. Creio que isso fortalece nossa fé. Meu pai morou um ano nos EUA e uma das observações mais faladas por ele foi que a missa lá é exatamente igual a que ele sempre foi aqui. E isso é lindo.

Agora, não desprezo a existência de alguns ritos diferentes. Desde que a liturgia não seja ofendida, acho interessante algumas missas diferenciadas, afinal, nem todo cristão é igual. Um pode gostar mais das músicas animadas, um outro pode se caracterizar mais com o estilo conservador de rezar, outros podem adorar uma missa carismática... acho isso normal. Imagino que a existências dessas "categorias" seja uma preocupação que a igreja tem com os fiéis, tentando fazer com que cada um se encaixe.
Se o objetivo for a eucaristia e a celebração da palavra não vejo mal algum, desde que seja dado o devido respeito ao missal e a liturgia.
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Re: Abusos Litúrgicos

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