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Mentir é pecado.

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Mentir é pecado.

Mensagem por Renan em Sex 1 Jul - 15:32

A paz...

Andei escutando por aí que mentir não é pecado. Que mentir é bom se for para o bem.

Bom, vamos com calma. O dicionário defini mentir como 1. Dizer o que não é verdade. 2. Dizer o que não se pensa. 3. Enganar. 4. Fig. Falhar, malograr-se. 5. Faltar. 6. Não cumprir o prometido ou o que era de esperar.
Diante disso, precisamos agora saber o que é pecado para identificar se mentir é pecado. De maneira mais simples, podemos definir pecado como sendo desobedecer a Deus ou a preceito religioso. Mentindo eu estou desobedecendo a Deus ou a algum preceito religioso?

Vou deixar cada um pensar através de algumas passagens:
"Não levantarás um boato falso; não darás tua mão ao perverso para levantar um falso testemunho". (Ex 23,1)

"Não furtareis, não usareis de embustes nem de mentiras uns para com os outros". (Lv 19,11)

"Para defender Deus, ireis dizer mentiras. Será preciso enganardes em seu favor"? (Jó 13,7)

"Eis que o mau está em dores de parto, concebe a malícia e dá à luz a mentira". (Sl 7,15)

"Tu preferes o mal ao bem, a mentira à lealdade".(Sl 51,5)

"Clava, espada, flecha penetrante: tal é o que usa de falso testemunho contra seu próximo"(Pr 25,18).

"Que coisa pura poderá vir do impuro? Que verdade pode vir da mentira?" (Eclo 34,4)
Jesus diz "Eu sou a verdade" (Jo 14,6)

"Quais?, perguntou ele. Jesus respondeu: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho" (Mt 19,18)

"Se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós"(I Jo 1,8 ).

Coloquei apenas algumas. O fato é que poucos querem receber as dores que a verdade trás. As consequências da verdade são mais duras que as consequências do pecado? Será que cremos que "conhecereis a verdade e a verdade vos livrará"(Jo 8,32)? Tomemos cuidado em querer resolver as coisas o mais rápido possível custe o que custar. Tomemos cuidado em querer aliviar dores. Foi isso que Jesus fez?

Abraços...


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Re: Mentir é pecado.

Mensagem por Ivia Nara em Sex 1 Jul - 16:07

Muito boa ...
Segundo o dicionário o sentido da mentira é esse, então, afirmo que não há mentira saudável, inofensiva... e sutilmente tem se tornado natural, comum, necessário, uma tradição de família, da sociedade.
“Que o seu sim seja sim e o seu não, não” MT 5:37
Na minha tradução rs se não for assim haverá pecado, pois no sentido original da palavra, pecar significa “Faltar a uma regra moral”. E se a regra é a verdade, quem mente, peca... me enrolei toda rs
Espero que tenham entendido!
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Re: Mentir é pecado.

Mensagem por André Luiz Botelho em Qui 7 Jul - 19:08

Em várias confissões com padres diferentes, conversei sobre isso, pelo fato que muitas vezes eu era obrigado a mentir em meu antigo ambiente de serviço, principalmente para cobrir falhas de meus chefes. As mentiras, com certeza não era correta, mas em si não lesava ninguém, e todos os padres sempre foram unanimes com relação a isso. Eu não estava mentido por que eu queria, mas por que eu era forçado e não estava fazendo mal, talvez não diretamente aquelas pessoas. Um padre sabiamente um dia me disse, "Filho esforça-te para sair desse lugar onde trabalha, pois ele cheira enxofre, mas não perturbes o teu coração".

Existem situações que a inverdade pode se uma questão de misericórdia, por exemplo, você contaria para um idoso de 80 anos que ele tem câncer? A chance dele sobreviver ao tratamento pode ser muito menor que se viver tranquilamente o tempo que lhe resta. Particularmente conheço um caso assim, e faz anos que houve o diagnóstico e a pessoa vem vivendo tranquilamente sem o peso de o tratamento de uma doença que muitas vezes mata mais pelo MEDO que pela sua violência.

Um exemplo bem simples e sutil. Sua mãe passa horas preparando o prato que você mais gosta, com todo amor que ela tem por você, mas por algum motivo não fica lá grandes coisas. E depois da primeira garfada ela pergunta toda ansiosa se está bom. Como você se comporta? Fere o coração de sua mãe e é sincero ou é simpático e diz que tá uma delícia?
Quando eu morava com minha mãe eu tinha a coragem/falta de caridade de dizer a verdade, hoje que só vejo minha mão duas a três vezes no ano, não sei se sou capaz disso.

Pecado, não falar a verdade ou Pecado ferir a pessoa que mais me ama no mundo?
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Re: Mentir é pecado.

Mensagem por Renan em Sex 8 Jul - 11:19

Então André, era sobre isso mesmo que eu queria falar nesse tópico.

No meu trabalho algumas vezes já me pediram para falar umas mentiras. Por exemplo, toca o telefone, eu atendo e vejo que é para fulano, então fulano diz: "fala que eu dei uma saidinha". Então eu respondo: "Você quer que eu diga que depois você retorna, porque eu não vou mentir não". No começo o povo olhava torto e tal, mas depois se acostumaram com a minha postura. Diante desse exemplo simples, naturalmente eles vão percebendo como eu sou e não pedem que eu minta em nada mais sério.

André Luiz Botelho escreveu:Existem situações que a inverdade pode se uma questão de misericórdia, por exemplo, você contaria para um idoso de 80 anos que ele tem câncer?
Se o homem foi fazer um teste é porque ele quer descobrir a verdade. Se ele preferisse viver sem a preocupação da doença, nem teria feito o teste. Pior seria ele descobrir quando não tivesse mais jeito (no leito do hospital por algum médico ou enfermeiro) e morrer chateado porque todos mentiram para ele.

André Luiz Botelho escreveu:Um exemplo bem simples e sutil. Sua mãe passa horas preparando o prato que você mais gosta, com todo amor que ela tem por você, mas por algum motivo não fica lá grandes coisas. E depois da primeira garfada ela pergunta toda ansiosa se está bom. Como você se comporta? Fere o coração de sua mãe e é sincero ou é simpático e diz que tá uma delícia?
Veja essa resposta: "Mãe, obrigado por ter feito essa comida para mim, estou muito feliz de poder estar comendo a tua comida. Podia ter um pouco menos de sal e talvez cozinhar um pouco mais". Parece um pouco inapropriada, mas se você tiver ido passar mais de um dia na casa da sua mãe e ela tiver oportunidade de fazer outra refeição para você, no outro dia ela acerta a mão e você diz que ficou ótimo, ela vai ter certeza de que é verdade e vai ficar muito mais feliz. Já aconteceu algo semelhante comigo. Uma vez minha mãe me deu um sapato em um natal, então ela perguntou se eu havia gostado. Nessa hora você até pensa em inventar alguma coisa, mas achei melhor dizer a verdade, respondi que não tinha gostado. Na hora pareceu ter sido a pior coisa que eu podia ter feito. Porém, quando fomos trocar e eu agradeci e disse que tinha gostado muito desse outro, ela ficou bem feliz e eu também. hehe. Foi um dos melhores sapatos que já tive, usei até furar. No final todos saímos ganhando.

O que eu quero dizer é que mesmo a mentira parecendo ser a melhor saída, a verdade (mesmo que gere desconforto no começo) gera frutos de alegria duradouros.

Quem é o pai da mentira? Não, ela não vem de Deus!

Abraços...

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Re: Mentir é pecado.

Mensagem por Camillot em Sex 8 Jul - 15:41

Concordo com o Renan, pois acho que é impossível uma mentira fazer algum tipo de bem.
A verdade, por mais que a princípio pareça ser desconfortável, sempre melhores frutos.

Imagine só, nesse exemplo da mãe que não cozinhou tão bem, é melhor falar logo a verdade para ela acertar a mão do que ter que mentir todas as vezes que experimentar a comida, não?
hehee


E aquela velha desculpa de "eu não menti, apenas omiti"
Tá valendo??
hehehe
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Re: Mentir é pecado.

Mensagem por Aline em Sab 9 Jul - 14:17

Eu acho que a verdade sempre é a melhor saída, mas acho que ela deve ser dita no momento certo, do jeito certo e pra pessoa certa. Pouco adianta eu te falar a verdade mas ser rude com você, por exemplo.
Mas eu vinha mesmo perguntar sobre a omissão... quando é que ela passa a ser uma mentira, se já não é?


"Não diga mentiras nem por desculpas. Deus é verdade!" (Padre Pio de Pietrelcina)
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Re: Mentir é pecado.

Mensagem por JuhninhofCN em Ter 12 Jul - 3:00

Graça e Paz,

Concordo com a Aline,

Sinto que o mais importante é saber como dizer a verdade! Palavras ao vento podem ser mal interpretadas! Amar é dizer a verdade com carinho e ternura! Não cabe mentiras em gestos de amor! O Senhor nunca privou ninguém da verdade e por muito pareceu duro em suas correções! Mais quando mergulhamos no mistério vemos a riqueza dos ensinamentos!

"Ora, sabemos que o temos conhecido por isto: se guardamos os seus mandamentos. Aquele que diz: Eu o conheço, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade" (1 João 2:3-4).

Deus nos providenciou a confiança e a segurança para estarmos aptos a conhecer a verdade.

“Para isto nasci e para isto vim ao mundo: para dar testemunho da verdade” (Jo 18, 37)


No decorrer de tantos séculos e de tantas gerações, a começar pelos tempos dos Apóstolos, não foi acaso o mesmo Jesus Cristo que tantas vezes compareceu ao lado dos homens julgados por causa da verdade? E não foi Ele para a morte, talvez, juntamente com homens condenados por causa da verdade?

Cessa Ele, porventura, de ser continuamente o porta-voz e advogado do homem que vive “em espírito e verdade”? (Cf. Jo 4, 23) Do mesmo modo que não cessa de sê-lo diante do Pai, assim também continua a sê-lo em relação à história do homem. E a Igreja, por sua vez, apesar de todas as fraquezas que fazem parte da história humana, não cessa de seguir Aquele que proclamou: “Aproxima-se à hora, ou melhor, já estamos nela, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade, porque é assim que o Pai quer os seus adoradores. Deus é espírito, e os que O adoram, em espírito e verdade, é que o devem adorar” (Jo 4, 23 s).

Papa João Paulo II
in:Carta Encíclica “O Redentor do Homem”
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Re: Mentir é pecado.

Mensagem por RafaelSousa em Qua 28 Dez - 15:13

Recorro ao Compêndio de Teologia Moral do Pe. Del Greco, O.F.M. Cap.:

A Mentira

343. - I. Noção e divisão. Chama-se mentira dizer o contrário daquilo que se pensa, com a intenção de enganar.

Para a essência da mentira requer-se seja diferente o que se pronuncia daquilo que se pensa (locutio contra mentem); n/ap peca, portanto, nem mesmo materialmente, aquele que pronuncia coisas que crê verdadeiras, enquanto, na realidade, são falsas. O engano, mediante a mentira, pode produzir-se não só por palavras, mas também por gestos a elas equivalentes.

Não mente, porém, aquele que esconde a verdade por meio de comportamento que, por si só, não é apto a manifestar a falsidade, como por exemplo, se um rico se veste de pobre para não ser assaltado pelos ladrões na rua. Isto é, dissimulação, a saber, esconder a verdade. É lícita quando se verifica uma causa proporcionalmente grave (cfr. n. 10); mas quando se faz sem causa justa, com o fim de enganar o próximo, é equiparada à mentira.

A mentira é danosa se traz dano ao próximo; é oficiosa se traz vantagem a si próprio ou a outros; é jocosa se proferida por divertimento ou por brincadeira.

344. - II. Malícia. A mentira, em si mesma, é pecado venial; se é danosa, é pecado mortal "ex genere suo" e comporta a obrigação da reparação do dano que causa.

A mentira é intrinsecamente má; por isso não é lícito mentir mesmo para fugir de um mal gravíssimo.

III. Distingue-se da mentira, a restrição mental, que consiste em dar às palavras um significado diverso do comum.

Há restrição mental, por exemplo, quando alguém interrogado acerca de um fato responde: não sei, subentendendo, para revelá-lo; ou quando se diz: bati alguém, ao sentido de havê-lo vencido em um concurso, em vez de havê-lo espancado.

A restrição mental pode ser tomada em sentido lato, ou em sentido estrito.

É tomada em sentido lato (ou impropriamente dita), quando o significado das palavras é facilmente perceptível, pelas circunstâncias da pergunta, da resposta, do costume, ainda que não seja apreendido; por exemplo, "não tenho o livro", subentendendo, "para dar-te".

É tomada em sentido estrito (ou propriamente dita), quando o significado das palavras não é de nenhum modo perceptível, por exemplo, se perguntam a uma pessoa: "estiveste em Paris?" - Esta responde que "sim", subentendendo ter estado com o desejo.

Malícia da restrição mental. Em sentido estrito é equiparada à mentira, por isso, nunca é lícita; em sentido lato é lícita e pode ser também confirmada por juramento se é proferida por motivo justo e não urge a obrigação de manifestar a verdade pura.

Por esta razão, portanto, o réu ou a testemunha, mesmo sob juramento, pode perfeitamente negar ter conhecimento do delito, se é ilegitimamente interrogado pelo juiz, ou se o delito foi cometido sem culpa, ou é oculto, ou se o conhece sob segredo ou sob sigilo da confissão. O adúltero, pode também sob juramento, atestar diante do outro cônjuge a sua inocência. Podem servir-se da restrição mental todas as pessoas públicas quando interrogadas sobre coisas referentes a seu ofício ou cargo (médicos, secretários, comandante de exército, magistrados, obstretas, etc.) e tem o dever de ocultar a verdade.

NA PRÁTICA.

Esteja atento o confessor, especialmente quando se confessam pessoas incultas, em não explicar imprudentemente a legitimidade da restrição mental tomada em sentido lato, principalmente se é confirmada pelo juramento, e sobretudo quando confessam que foram obrigados a dizer mentiras para evitar discórdias ou outrasm coisas semelhantes. Em tais casos, pode responder que, dadas as circunstâncias, não é mentira falar desse modo.

----------------------------------------------------------------------------------

O mesmo nos diz o Compêndio da Moral Católica do Pe. Heriberto Jone - O.F.M. Cap.:

1. Conceito.
Por mentira entendem-se palavras, sinais ou ações pelos quais se
exprime o contrário do que se pensa ou quer (para enganar a outros).

É mentira afirmar verdadeira uma coisa que se tem por falsa, como pelo contrário não é mentira dizer uma coisa falsa que se julga verdadeira. A mentira cometida por ações chama-se hipocrisia.

II. Divisão. A mentira pode ser perniciosa, jocosa ou oficiosa.

Pela mentira perniciosa procura-se fazer dano, pela oficiosa procura-se obter um proveito próprio ou alheio; a mentira jocosa
diz-se por brincadeira ou divertimento. Não mente quem gracejando
afirma coisas manifestamente falsas que de antemão sabe que todo homem
ajuizado percebe facilmente o gracêjo.

III. Culpabilidade. A mentira nunca é lícita; todavia não passa de pecado venial.

Visto ser a mentira intrinsecamente má, não se pode mentir nem para evitar as maiores desgraças. - A mentira torna-se pecado grave quando lesa gravemente outras virtudes p. ex. a justiça ou a caridade.

IV. Da mentira diferem:

1.) a restrição mental.

(...)

2.) a infidelidade que consiste em não guardar o prometido.

(...)


Última edição por RafaelSousa em Qua 28 Dez - 16:38, editado 1 vez(es)
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Re: Mentir é pecado.

Mensagem por Renan em Qua 28 Dez - 16:21

Boa contribuição Rafael. Distingue bem alguns aspectos da nossa vida.

Porém, vamos analisar alguns trechos.

RafaelSousa escreveu:É lícita quando se verifica uma causa proporcionalmente grave (cfr. n. 10)
Proporcionalmente grave? Mentir é lícito? Não há acima exemplos para tal situação, o que torna um pouco duvidosa o que seria mentir licitamente. Ainda mais que depois o texto traz:
RafaelSousa escreveu:A mentira é intrinsecamente má; por isso não é lícito mentir mesmo para fugir de um mal gravíssimo.
Proporcionalmente grave é lícito, mas para fugir de mal gravíssimo não é lícito??? Question
Não sei se eu é que estou lendo errado, mas me pareceu um pouco contraditório isso...

É preciso tomar cuidado também com esta última parte "restrição mental".

RafaelSousa escreveu:É tomada em sentido estrito (ou propriamente dita), quando o significado das palavras não é de nenhum modo perceptível, por exemplo, se perguntam a uma pessoa: "estiveste em Paris?" - Esta responde que "sim", subentendendo ter estado com o desejo.
Se alguém te perguntas "estivestes em Paris?" e você entende que ela perguntou se fostes fisicamente e tu respondes que fostes pensando apenas que fostes no desejo, estás enganando a pessoa propositalmente, logo é mentira. Agora, se tu respondes por não ter percebido em que sentido foi perguntado, então tudo bem, mas melhor seria esclarecer.

RafaelSousa escreveu:Por esta razão, portanto, o réu ou a testemunha, mesmo sob juramento, pode perfeitamente negar ter conhecimento do delito, se é ilegitimamente interrogado pelo juiz, ou se o delito foi cometido sem culpa, ou é oculto, ou se o conhece sob segredo ou sob sigilo da confissão. O adúltero, pode também sob juramento, atestar diante do outro cônjuge a sua inocência. Podem servir-se da restrição mental todas as pessoas públicas quando interrogadas sobre coisas referentes a seu ofício ou cargo (médicos, secretários, comandante de exército, magistrados, obstretas, etc.) e tem o dever de ocultar a verdade.

Então, aqui entra em questão um ponto deveras complicado. Um padre interrogado sob juramento à respeito de algo que ele sabe, mas como segredo de confissão (ou qualquer ministério em que o sigilo é dever), pode responder que não sabe? Bom, as demais profissões provavelmente quebram o sigilo diante da lei, mas no caso sacerdotal, o problema é um pouco mais difícil. Ao Padre dizer que não sabe, ele estaria mentindo, já que ele sabe; porém ao dizer que sabe, ele estaria sendo infiel ao princípio que fez ele não mentir, que é não desobedecer a Deus. Então, para esse caso, penso que em um sentido espiritual existem duas opções: Ou o padre se nega a responder e pode até ser preso (não estou certo disso), ou então ele julga intelectualmente que as confissões atendidas por ele nunca foram sabidas por ele senão por Deus! Difícil de engolir, mas para esse caso específico acho que seria a solução.

O que eu marquei em negrito não faz muito sentido para mim: "O adúltero, pode também sob juramento, atestar diante do outro cônjuge a sua inocência." Para mim cai no mesmo caso do já citado:
RafaelSousa escreveu:A mentira é intrinsecamente má; por isso não é lícito mentir mesmo para fugir de um mal gravíssimo".
O mal gravíssimo seria envergonhar os cônjuges, isso continua sendo mentira para mim.

De todo modo Deus nos ajude a sempre falarmos a verdade. "Quando vos entregarem, não fiqueis preocupados como falar ou o que dizer. Então naquele momento vos será indicado o que deveis dizer. Com efeito, não sereis vós que havereis de falar, mas sim o Espírito do vosso Pai é que falará através de vós." (Mt, 10,19-21)

Rafael depois dá uma olhada nas suas mensagens, é possível alterar o que já foi escrito apertando o botão "editar". Não são permitidos posts duplos. Arruma aí, se não conseguir me manda uma mensagem privada, olha AQUI como faz.

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Re: Mentir é pecado.

Mensagem por RafaelSousa em Qua 28 Dez - 16:57

Renan escreveu:Boa contribuição Rafael. Distingue bem alguns aspectos da nossa vida.

A Teologia Moral é bem prática. Ela é para ser aplicada nas situações cotidianas. Por isso é uma das minhas paixões.

Renan escreveu:Porém, vamos analisar alguns trechos.

RafaelSousa escreveu:É lícita quando se verifica uma causa proporcionalmente grave (cfr. n. 10)
Proporcionalmente grave? Mentir é lícito? Não há acima exemplos para tal situação, o que torna um pouco duvidosa o que seria mentir licitamente. Ainda mais que depois o texto traz:
RafaelSousa escreveu:A mentira é intrinsecamente má; por isso não é lícito mentir mesmo para fugir de um mal gravíssimo.
Proporcionalmente grave é lícito, mas para fugir de mal gravíssimo não é lícito??? Question
Não sei se eu é que estou lendo errado, mas me pareceu um pouco contraditório isso...

Del Greco diz que a dissimulação é lícita quando se verifica uma causa proporcionalmente grave, não a mentira. Veja a continuação da frase de Del Greco: "É lícita quando se verifica uma causa proporcionalmente grave (cfr. n. 10); mas quando se faz sem causa justa, com o fim de enganar o próximo, é equiparada à mentira."

Ora, a mentira é sempre mentira. Não pode ser "equiparada" a ela mesma por ser ela mesma. Por isso aqui ele fala da dissimulação.

Renan escreveu:É preciso tomar cuidado também com esta última parte "restrição mental".

RafaelSousa escreveu:É tomada em sentido estrito (ou propriamente dita), quando o significado das palavras não é de nenhum modo perceptível, por exemplo, se perguntam a uma pessoa: "estiveste em Paris?" - Esta responde que "sim", subentendendo ter estado com o desejo.
Se alguém te perguntas "estivestes em Paris?" e você entende que ela perguntou se fostes fisicamente e tu respondes que fostes pensando apenas que fostes no desejo, estás enganando a pessoa propositalmente, logo é mentira. Agora, se tu respondes por não ter percebido em que sentido foi perguntado, então tudo bem, mas melhor seria esclarecer.

RafaelSousa escreveu:Por esta razão, portanto, o réu ou a testemunha, mesmo sob juramento, pode perfeitamente negar ter conhecimento do delito, se é ilegitimamente interrogado pelo juiz, ou se o delito foi cometido sem culpa, ou é oculto, ou se o conhece sob segredo ou sob sigilo da confissão. O adúltero, pode também sob juramento, atestar diante do outro cônjuge a sua inocência. Podem servir-se da restrição mental todas as pessoas públicas quando interrogadas sobre coisas referentes a seu ofício ou cargo (médicos, secretários, comandante de exército, magistrados, obstretas, etc.) e tem o dever de ocultar a verdade.

Então, aqui entra em questão um ponto deveras complicado. Um padre interrogado sob juramento à respeito de algo que ele sabe, mas como segredo de confissão (ou qualquer ministério em que o sigilo é dever), pode responder que não sabe? Bom, as demais profissões provavelmente quebram o sigilo diante da lei, mas no caso sacerdotal, o problema é um pouco mais difícil. Ao Padre dizer que não sabe, ele estaria mentindo, já que ele sabe; porém ao dizer que sabe, ele estaria sendo infiel ao princípio que fez ele não mentir, que é não desobedecer a Deus. Então, para esse caso, penso que em um sentido espiritual existem duas opções: Ou o padre se nega a responder e pode até ser preso (não estou certo disso), ou então ele julga intelectualmente que as confissões atendidas por ele nunca foram sabidas por ele senão por Deus! Difícil de engolir, mas para esse caso específico acho que seria a solução.

O que eu marquei em negrito não faz muito sentido para mim: "O adúltero, pode também sob juramento, atestar diante do outro cônjuge a sua inocência." Para mim cai no mesmo caso do já citado:
RafaelSousa escreveu:A mentira é intrinsecamente má; por isso não é lícito mentir mesmo para fugir de um mal gravíssimo".
O mal gravíssimo seria envergonhar os cônjuges, isso continua sendo mentira para mim.

De todo modo Deus nos ajude a sempre falarmos a verdade. "Quando vos entregarem, não fiqueis preocupados como falar ou o que dizer. Então naquele momento vos será indicado o que deveis dizer. Com efeito, não sereis vós que havereis de falar, mas sim o Espírito do vosso Pai é que falará através de vós." (Mt, 10,19-21)

Deixe-me definir melhor o que seria a Restrição Mental. Para tal usarei a página de documentos, testemunhos, etc. da Opus Dei:
Restrição mental é aquele processo pelo qual se diz uma frase
que em si é falsa, mas que é verdadeira num sentido oculto na mente de
quem a diz: "Sim, já visitei Paris várias vezes (pela Internet)". Como a
moral católica, admite em certos casos a restrição mental é preciso
estar atentos para este fato quando se interpela algum membro do Opus
Dei sobre a Obra. Sobretudo porque palavras como "liberdade",
"caridade", "amor" etc. são palavras que se prestam a múltiplas
interpretações, por vezes opostas na mente de quem fala e de quem ouve.

Um exemplo: para quem vive a realidade do Opus Dei no Brasil
há duas características notórias entre os membros numerários: um alto
índice de evasão da Obra e um alto índice de pessoas com distúrbios
mentais. Altos índices se comparados com seus congêneres em outros
lugares do mundo. Em bases reais e concretas: uma pesquisa informal
entre membros da Obra bem informados aponta uma forte unanimidade: 5
numerários que acabam por sair da Obra para cada um que fica.


Na verdade, ninguém sabe o número exato, mas diversos numerários
da Obra, quando perguntados por um outro numerário (que nos relatou este
dado) coincidem nesta estimativa: 5 para 1.


No entanto, se esses mesmos membros da Obra forem perguntados
sobre essa mesma questão por alguém "de fora", a resposta provavelmente
será outra: "Não sei", "Poucos", "Muito poucos". Esta resposta, a rigor,
não será uma mentira: ele realmente não sabe qual a proporção exata dos
que não perseveram e quando diz "poucos" pode estar fazendo a restrição
mental (interpretação) de considerar somente os membros que estivessem
plenamente incorporados; ou então a de que os que se foram embora na
realidade nunca foram da Obra (o que reduziria o número a zero...) ou
ainda que ele tem todo o direito de considerar 5/1 "poucos", "muito
poucos" (afinal há concursos por aí em que há 300 candidatos por vaga)
etc.


Por isso, certas perguntas apresentam uns negritos, prevenindo
possíveis restrições mentais. Assim, em vez de perguntar ao seu diretor
espiritual:



Pe. X.: Qual é a proporção de membros numerários que deixam a Obra em relação aos que ficam?


melhor é perguntar:


Pe. X.: Sei que o senhor não dispõe do número exato, mas na sua
estimativa: qual é a proporção de pessoas que pediram a admissão como
numerários no Opus Dei do Brasil e que acabaram saindo da Obra?


O mesmo pode dizer-se dos distúrbios mentais. Doença mental é um
conceito que se presta facilmente a restrições mentais. Por exemplo, o
presidente Lula, ao regulamentar o Programa Nacional de Saúde Mental, em
fins de maio de 2003, declarou que: "de louco todo mundo tem um pouco".
Assim, em vez de perguntar:



Pe. X.: Há muitos casos de distúrbios mentais entre os numerários?


Pergunte:


Pe. X.: O senhor se surpreenderia se eu lhe dissesse que cerca de
15% dos numerários do Brasil apresentam limitações para o exercício de
seu trabalho por conta de problemas psíquicos? É verdade que em alguns
centros essa cifra chega a 30% ou 40%?

http(dois pontos; barra; barra)www(ponto)opus-info.org/index.php?title=Perguntas_para_seu_diretor_espiritual_antes_de_entrar_para_a_Obra_como_numer%C3%A1rio




Entende melhor o que é a restrição mental? Qualquer dúvida tento explicar melhor.


Renan escreveu:Rafael depois dá uma olhada nas suas mensagens, é possível
alterar o que já foi escrito apertando o botão "editar". Não são
permitidos posts duplos. Arruma aí, se não conseguir me manda uma
mensagem privada olha AQUI
como faz.

Abraços...

Arrumado. Abraços
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Re: Mentir é pecado.

Mensagem por Joana Rocha em Qua 28 Dez - 21:59

Paz e bem!
Aí galera, espero ajudar em alguma coisa =) Tá muito legal o tópico!

Acho que, pra começar, devíamos nos perguntar: O que faria Jesus no meu lugar? E, além disso, escutar a nossa consciência: Quem, afinal, quando mente, não fica com um certo remorso?

Depois, com relação aos exemplos, acho que a verdade é sempre a melhor opção mesmo. No caso da comida da mãe, não seria uma boa solução dizer algo como "Mamãe, a comida podia ser do melhor chefe de gastronomia do mundo, mas não ia estar comparável à sua, porque eu sei que você fez com amor, e pensando em mim" (ráá, mandei bem, né? hehehe)... É a mais pura verdade! No fundo, não te importa tanto o sabor, mas a consideração dela por fazer isso por você! Assim você mostra pra ela que o que te importa realmente não é o resultado da comida em si, senão o fato de que ela mesma fez (você mostra que o que importa é que foi ELA quem fez, e não O QUE ela fez) - Colocar o SER antes do FAZER é essencial também! Temos que mostrar pras pessoas que não as valorizamos menos porque não fizeram alguma coisa "tão bem assim", mas que as amamos por quem são, simplesmente, e que só o fato delas "serem", já as faz merecerem o nosso amor!
Querem outro exemplo parecido? Quando alguém te dá um presente de surpresa, você fica SUPER feliz - não tanto pelo presente (às vezes pode ser só um bombom), mas só pelo fato de que alguém lembrou de você e teve a delicadeza de te levar alguma coisa (...). Não é mentira dizer que você "amou o presente", quando no fundo não foi o presente que você de fato amou, mas o fato de que alguém se lembrou de você, que se importa com você, etc...

Agora, deixando de lado as minhas leigas opiniões, aproveito pra deixar aqui uns trechos do livro "Vida en comunidad: reto y maravilla" do pe. Amedeo Cencini (não sei se o livro já foi traduzido pro português, mas, se foi, o título seria: "vida em comunidade: desafio e maravilha")... Ele é um padre psicólogo excelente, tem livros muito bons! Esse da vida em comunidade tem uma parte só sobre a comunicação entre as pessoas, e é dessa parte que eu vou tirar uns trechinhos...

"É necessário também que o que se diz passe pelo filtro de consciência [da pessoa] e pelo seu sentido de responsabilidade, e que não fique numa manifestação automática e espontânea do que se sente mais ou menos confusamente em seu interior" (Temos que saber diferenciar a verdade da sinceridade, e não simplesmente sair por aí falando o que se sente e o que se pensa, quando isso pode magoar os outros e não concorrer para o bem... Ou seja, não é que eu vou sair por aí dizendo que não acho o seu cabelo bonito - ainda que seja sincero se o disser. Além disso, é preciso ver com clareza o que dizer e em que momento, de que forma, com que palavras... e que o que digamos não seja simplesmente fruto das nossas impressões e subjetividades, senão seja uma verdade meditada e refletida no nosso interior... Não vamos por aí sair "vomitando" o que consideramos "verdades", dizendo qualquer coisa que passe pela nossa cabeça e de qualquer jeito).
"Para ser verdadeiros não basta ser sinceros, porque a sinceridade tem a ver com a percepção subjetiva do próprio mundo interior, enquanto a verdade supõe confrontar o que se é e se sente com o que se deveria ser e sentir com relação ao irmão. A sinceridade é subjetiva e a verdade é objetiva" (...)

"Uma comunicação ordenada (...) [é feita de] palavras que não são impacientes nem provocadoras, que sabem esperar seu turno e o momento justo, que têm uma lógica interna e argumentos encadeados, que respeitam a verdade e a caridade, o ritmo de crescimento do irmão e da irmã, assim como a sua capacidade de compreensão e suas resistências."

E, por fim, respondendo de forma mais direta à pergunta:
"Temos que evitar, concretamente (...) os mecanismos de omissão (...). Os mecanismos que distorcem a verdade (como todas as mentiras entre irmãos, sem dúvida moralmente veniais, mas que influenciam muito nas relações, introduzindo elementos de insegurança e fazendo com que se suspeite mutuamente, com o que se destrói a confiança" (...)
"A confiança também desaparece diante da mentira 'piedosa', ou quando se trata de justificar com razões engenhosas e aparentemente nobres. (...) É verdade que não é nada fácil fazer frente diante de algumas pessoas e de algumas situações, mas deve estar muito claro que tudo o que não se constrói na verdade é muito frágil e não tem consistência, e portanto não tardará em ir água abaixo"
Acho que o Amedeo Cencini explica melhor do que eu, então, fico por aqui ;D
Espero que tenha ajudado em alguma coisa!

Contem com as minhas orações...

Sua sempre irmã em Cristo,
Joana Rocha Very Happy

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Re: Mentir é pecado.

Mensagem por andrebisinoto em Qua 28 Dez - 22:14

Muito bom tópico e muito interessantes as citações da Teologia Moral!

Deixa eu levantar uma questão aqui:

Uma vez um ateu veio me dizer que um dos motivos que tornavam melhor ser ateu do que cristão era a seguinte situação. Por exemplo, na 2ª guerra mundial, se você estivesse escondendo fugitivos judeus e soldados nazistas te perguntassem: "você está escondendo judeus?", caso você fosse religioso, você seria obrigado a dizer que sim. Porém, se você fosse ateu, você poderia mentir.

Eu respondi para ele o seguinte: antes de tudo, o cristão tem compromisso com a Verdade. E esse compromisso não é somente com palavras. É um compromisso com o bem. Se eu sei que o extermínio judeu é objetivamente mau, meu compromisso com a Verdade me possibilita salvar vidas mentindo. Não se trata de ser covarde e como fez São Pedro ao negar Jesus. Se eu quisesse simplesmente livrar minha pele e fugir do martírio, mentir assim seria praticamente uma apostasia. Mas como estou salvando vidas, acho que esse caso se enquadra na restrição mental. Se é lícito matar em uma guerra justa, é lícito também "mentir" em uma guerra justa.

Na verdade, o comentário desse ateu só revelava o seu relativismo moral...

Lembro também que "o demônio é o pai da mentira"! Sejamos da Verdade e a busquemos a todo o custo! Mesmo que a Verdade não seja agradável, Ela nos liberta.
Abraços
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Re: Mentir é pecado.

Mensagem por Joana Rocha em Ter 3 Jan - 20:49

Paz e bem!
André! Essa sua resposta me fez pensar bastante também, obrigada =D
Concordo com o que você disse do nosso compromisso com a Verdade, que não deve ser somente com palavras...

Não seria esse um caso no qual a teoria do "mal menor" seria utilizável?
Existem duas opções: A de mentir e salvar muitas vidas, ou a de dizer a verdade e, conseqüentemente, deixar de salvá-las.
Me corrijam se eu estiver errada, mas, até onde eu sei, o mal menor acontece nos casos nos quais se tem duas possibilidades ruins, e deve-se optar por uma delas. Nesse caso, pela que ocasionar um mal menor. Na situação que o André colocou, seria um mal tanto mentir como entregar os judeus. Ora, as conseqüências certamente pesam muitíssimo na hora de julgar a moralidade de um ato (ainda que os fins não justifiquem os meios). Assim, comparando o 1. Objeto, a 2. Finalidade e 3. As circunstâncias (que são os critérios para definir se um ato é bom ou não) dos dois casos, seria um ato muito pior revelar onde os judeus estariam escondidos.

"O mal menor, em relação a um mal maior, está situado na categoria de
bem. Pois um mal menor é preferível a um mal maior. E aquilo que é
preferível sempre é um bem, e quanto o mais preferível este seja maior
bem é" (Aristóteles, Ética a Nicômaco V.3).

"O mal menor portanto, é preferível
não porque seja um bem objetivo, mas sim porque o bem que se perde com o
mal maior é mais valioso
. O mal menor, em Aristóteles, é consequência
de uma decisão justa (...)
A escolha do mal menor é lícita somente quando não existe nenhuma outra
alternativa possível e os males em questão são inevitávei
s; é lícito
então escolher entre eles o mal menor."


(Conselho Pontifício para Família, Lexicon, verbete Princípio e argumento do mal menor, Roma 2002)

Então, afinal, mentir é ou não é pecado???

"Consciência perplexa é a de quem, diante de dois preceitos
establecidos, acredita que pecará se escolher um ou outro, ... caso
possa suspender a ação, é obrigado a adiá-la enquanto consulta pessoas
competentes. Se não puder suspendê-la, é obrigado a escolher o mal
menor, evitando transgredir o direito natural mais do que o direito
humano
. Se não é capaz de discernir qual seja o mal menor, faça o que
fizer, não peca, porque nesse caso falta a liberdade necessária para que
exista pecado formal". Santo Afonso Maria de Ligório (Teologia Moral)

Mas isso se aplica só nos casos extremos, quando NÃO EXISTEM outras possibilidades... Não acho que se aplique ao nosso cotidiano...
Quando não se aplica essa situação do mal menor:

2484. A gravidade da mentira mede-se
pela natureza da verdade que ela deforma, atendendo às circunstâncias,
às intenções de quem a comete e aos danos causados àqueles que são suas
vítimas. Embora a mentira, em si, não constitua mais que um pecado
venial, torna-se mortal quando lesa gravemente as virtudes da justiça e
da caridade.


2485. A mentira é, por sua natureza, condenável. É uma profanação da palavra, a
qual tem por fim comunicar aos outros a verdade conhecida. O propósito
deliberado de induzir o próximo em erro, por meio de afirmações contrárias à
verdade constitui uma falta contra justiça e contra a caridade. A culpabilidade
é maior quando a intenção de enganar pode ter consequências funestas para
aqueles que são desviados da verdade.

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA Terceira Parte: A vida em Cristo, Segunda secção: Os dez mandamentos. Capítulo Segundo, Artigo 8: O oitavo Mandamento

;D

Com as minhas orações,
Sua sempre irmã em Cristo,
Joana.


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Re: Mentir é pecado.

Mensagem por RafaelSousa em Qua 4 Jan - 12:40

Joana, a Paz.

A moralidade de um ato é definida por três fontes: objeto, as circunstâncias e o fim que se tem em vista ou intenção. Assim, penso que seja interessante esclarecer o que é cada um destes pontos para todos do fórum que não conhecem teologia moral.

O objeto é um bem para o qual a vontade tende deliberadamente (Catecismo da Igreja Católica, 1751). O objeto é aquilo a que se dirige o ato. Por Exemplo o bem alheio, no furto (Compêndio da Moral Católica, 40), a vida do bebê, no aborto, etc. "O objeto do ato pode ser bom, mau ou indiferente" (Compêndio da Moral Católica, 40).

A circunstância, "incluindo as consequências, são elementos secundários de um ato moral. Contribuem para agravar ou atenuar a bondade ou malícia moral dos atos humanos (por exemplo, o montante dum roubo). Podem também diminuir ou aumentar a responsabilidade do agente (por exemplo, agir por medo da morte). As circunstâncias não podem, de per si, modificar a qualidade moral dos próprios atos; não podem tornar boa nem justa uma ação má em si mesma" (Catecismo da Igreja Católica, 1754). O Manual de Filosofia Tomista e o Tratado de Filosofia Tomo IV enumeram sete elementos da circunstância, a saber: à condição particular do sujeito do ato (quis); à natureza do objeto (quid); ao lugar da ação (ubi); aos meios empregados (quibus auxiliis); ao fim secundário (cur); ao comportamento interior ou exterior de agente (quomodo); e, enfim, ao tempo e à duração do ato (quando).

Por último temos o fim ou intenção do ato. Porque está na fonte voluntária da ação e a determina pelo fim em vista, a intenção é um elemento essencial na qualificação moral da ação (Catecismo da Igreja Católica, 1752). O compêndio da Moral Católica explica muito bem isso dizendo "O fim é o bem que move o agente a praticar o ato. Quando o fim é gravemente culpável, a ação toda é má, quer seja o fim único quer seja fim parcial. Quando o fim é levemente culpável, a ação toda é levemente culpável, se houver somente este fim; havendo também fins bons, o ato será em parte bom e em parte mau, p. ex. dar esmola por compaixão e por vaidade. O fim bom acrescenta nova bondade à ação boa em si; nunca porém tira a malícia ao ato mau, por o fim não justifica os meios" (Compêndio da Moral Católica, 42).

O Catecismo nos confirma isso dizendo "Uma intenção boa (por exemplo: ajudar o próximo) não torna bom nem justo um comportamento em si mesmo desordenado (como a mentira e a maledicência). O fim não justifica os meios. Assim, não se pode justificar a condenação de um inocente como meio legítimo para salvar o povo. Pelo contrário, uma intenção má acrescentada (por exemplo, a vanglória) torna mau um ato que, em si, pode ser bom (como a esmola)" (Catecismo da Igreja Católica, 1753).

Então vemos que mesmo que tenhamos as melhores intenções, a mentira continua sendo mentira. Assim continua sendo um pecado. Verdade que é um pecado venial e que, nessas condições, a culpa é muito atenuada. Mas ainda assim continua sendo algo errado.

Aliás, o medo é um grande atenuante de um ato. Algumas vezes pode até mesmo retirar toda a culpa de um ato mau.

Sobre a teoria do "mal maior", "se é lícito, algumas vezes, tolerar o mal menor para evitar um mal maior, ou para promover um bem superior, nunca é lícito, nem sequer por razões gravíssimas, fazer o mal, para que daí provenha o bem; isto é, ter como objeto de um ato positivo da vontade aquilo que é intrinsecamente desordenado e, portanto, indigno da pessoa humana, mesmo se for praticado com intenção de salvaguardar ou promover bens individuais, familiares, ou sociais" (VADEMECUM PARA OS CONFESSORES SOBRE ALGUNS TEMAS DE MORAL RELACIONADOS COM A VIDA CONJUGAL).

Sobre a declaração que o Papa Bento XVI deu a algum tempo atrás sobre os preservativos, a Congregação para a doutrina da Fé citou a questão do "mal menor", a saber: "Alguns interpretaram as palavras de Bento XVI, recorrendo à teoria do chamado «mal menor». Todavia esta teoria é susceptível de interpretações desorientadoras de matriz proporcionalista (cf. João Paulo II, Encíclica Veritatis splendor, nn.os 75-77). Toda a ação que pelo seu objeto seja um mal, ainda que um mal menor, não pode ser licitamente querida. O Santo Padre não disse que a prostituição valendo-se do preservativo pode ser licitamente escolhida como mal menor, como alguém sustentou. A Igreja ensina que a prostituição é imoral e deve ser combatida. Se alguém, apesar disso, pratica a prostituição mas, porque se encontra também infectado pelo HIV, esforça-se por diminuir o perigo de contágio inclusive mediante o recurso ao preservativo, isto pode constituir um primeiro passo no respeito pela vida dos outros, embora a malícia da prostituição permaneça em toda a sua gravidade. Estas ponderações estão na linha de quanto a tradição teológico-moral da Igreja defendeu mesmo no passado" (NOTA SOBRE A BANALIZAÇÃO DA SEXUALIDADE A PROPÓSITO DE ALGUMAS LEITURAS DE «LUZ DO MUNDO»).

Abraços a todos.

Pax Christi


Edição 1: Ainda sobre a questão que o André colocou, o sacerdote em questão poderia se valer da restrição mental. Na pergunta: "Você está escondendo judeus?", o sacerdote não tem certeza que todos são judeus... Alguns até podem ser, mas ele não perguntou para eles. Logo, ele poderia usar a restrição mental da mesma forma que os membros da Opus Dei.
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Re: Mentir é pecado.

Mensagem por Kelsen em Ter 10 Jan - 20:26

HAHA Smile Adorei o tópico. Pra descontrair um pouco, entendeu Renan? Quando eu afirmo a alguém "você é buro!!" Estou dizendo o que realmente estou pensando e não mentindo! kkkkkkkkkk quando eu digo "Eu queria muito matar você" Não é lícito, mas não é mentira! Entende? Não é grosseria dizer o que eu penso. Grosseria é dizer na hora errada e com tom forte! Tô certo? Acho que só o Caio ia me entender aqui Very Happy
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Re: Mentir é pecado.

Mensagem por Chaves em Qua 26 Set - 13:01

Olá!
Sou nova no enCRUZilhada, encontrei procurando por 'mentira é pecado' no google.
Enfim, tenho uma dúvida cruel e gostaria de pedir para vocês me ajudarem a descobrir.

Eu, desde criança, sempre detestei mentiras, por mais bobas que parecessem ser. Contudo, hoje, tenho um namorado que é um fino de um mentiroso. Enfim, é pecado mentir para descobrir as mentiras dele?
Em primeira resposta, eu mesma responderia que sim, contudo, quando a gente passa pela mesma coisa que alguém está passando, talvez mude de ideia. O que acontece é que descobri as mentiras dele e ele prometeu não fazer mais isso, mas eu não acredito e quero testá-lo. Quero saber se ele realmente me ama. Ele me pediu em casamento, e eu não quero casar sem ter a absoluta certeza de que não serei mais enganada.
O que seria pior: mentir para ver se ele realmente ama e se fala a verdade (depois eu contaria toda a verdade, diria que só estava testando); ou casar, ser enganado e talvez sofrer uma separação no futuro?

Não quero me casar e ter que divorciar depois, não concordo com isso.
Então, achei melhor mentir/omitir para ver se ele aceita e só depois de ver se ele realmente me ama, eu contar toda a verdade.

Isso é pecado?

Agradeço pelas futuras respostas. Very Happy

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Re: Mentir é pecado.

Mensagem por Fabão em Sex 28 Set - 13:54

Nosso Senhor é Verdade! Isso apenas já dá conta do que temos que fazer com a mentira.

"Chaves", mentir para descobrir a mentira alheia é errar para apontar o erro. Apontar o erro é bom, mas mentir não é, e não devemos usar meios ruins, mesmo que o fim, o objetivo, seja bom.

Não lhe direi o que fazer, e nem mesmo o
que faria no seu lugar, apenas sugiro que leia a parábola dos talentos (Mt 25,14-30)
e reflita. E que o Espírito Santo te ilumine nessa decisão.
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Re: Mentir é pecado.

Mensagem por RafaelSousa em Ter 9 Out - 10:12

Kelsen escreveu:HAHA Smile Adorei o tópico. Pra descontrair um pouco, entendeu Renan? Quando eu afirmo a alguém "você é buro!!" Estou dizendo o que realmente estou pensando e não mentindo! kkkkkkkkkk quando eu digo "Eu queria muito matar você" Não é lícito, mas não é mentira! Entende? Não é grosseria dizer o que eu penso. Grosseria é dizer na hora errada e com tom forte! Tô certo? Acho que só o Caio ia me entender aqui Very Happy


kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
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Re: Mentir é pecado.

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